O monitoramento da condição dos tecidos moles e duros peri-implantares é uma parte crucial da avaliação dos resultados do tratamento com implantes dentários. A ausência de sinais e sintomas como dor, mobilidade e infecção é considerada um indicador de resultado desejável do tratamento. Outro aspecto importante é a avaliação precisa do osso de suporte ao redor do implante. Clinicamente, a detecção precoce de perda óssea e defeitos ósseos é essencial para avaliar a arquitetura óssea, planejamento de procedimentos regenerativos e para evitar uma maior perda da ancoragem óssea que, se não tratada precocemente, pode resultar na perda do implante.

 

A imagem tridimensional (3D) tem o benefício de fornecer informações volumétricas com detalhes precisos e confiáveis ​​às custas da administração de uma dose maior de radiação. Atualmente, a tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) é a técnica de escolha para vários fins de imagem 3D em Odontologia.  No entanto, nos casos em que objetos metálicos de alta densidade, como implantes de titânio e pinos metálicos intrarradiculares, são posicionados dentro do campo de visão (field of view – FOV), a qualidade da imagem é degradada pelos artefatos oriundos do fenômeno de endurecimento do feixe, tornando o osso ao redor do implante difícil de avaliar. A gravidade desses artefatos, que em alguns casos pode ser suficiente para mascarar defeitos ósseos peri-implantares, depende de vários fatores, incluindo o tipo de dispositivo de TCFC usado, a posição do objeto dentro do FOV e a aplicação de algoritmos de redução de artefatos de metal.

 

É de grande interesse ter a capacidade de aumentar a sobrevivência dos implantes verificando a localização do implante e a massa óssea circundante durante o período de acompanhamento. Convencionalmente, a exposição à radiação e a significativa carga econômica são os fatores limitantes neste processo. As doses de radiação da radiografia periapical e panorâmica são atualmente muito baixas e o risco econômico subsequente também é baixo em comparação com a TCFC. Mais especificamente, a dose de radiação para cada radiografia convencional é de 7,2 μSv para panorâmica e 1–8,3 μSv para radiografia periapical. Na TCFC dentária, a dose efetiva varia consideravelmente entre os diferentes aparelhos e pode variar de 5 a 1073 μSv. Essas variações decorrem de diferenças nos campos de visão disponíveis, tempos de varredura e tecnologias de detector.

 

Nesse contexto, a importância das radiografias em retratar a condição do osso ao redor dos implantes é indiscutível. Entre os métodos bidimensionais, a radiografia periapical é a mais amplamente utilizada e indicada. As imagens resultantes têm excelente resolução espacial. Dessa forma, a radiografia periapical deve ser o primeiro critério de seleção para a avaliação e monitoramento do osso ao redor do implante após sua colocação e osseointegração. Implantes e próteses causam artefatos de metal na TCFC, tornando essa abordagem difícil de realizar avaliações precisas com relação à densidade e espessura do osso peri-implantar. Portanto, a TCFC não deve ser usada para esse propósito.

 

Referências bibliográficas

Kim MJ, Lee SS, Choi M, Yong HS, Lee C, Kim JE, Heo MS. Developing evidence-based clinical imaging guidelines of justification for radiographic examination after dental implant installation. BMC Med Imaging. 2020 Aug 31;20(1):102. doi: 10.1186/s12880-020-00501-3. PMID: 32867728; PMCID: PMC7457348.

Lee C, Lee SS, Kim JE, Symkhampha K, Lee WJ, Huh KH, et al. A dose monitoring system for dental radiography. Imaging Sci Dent. 2016;46(2):103–8.

Pauwels R, Jacobs R, Singer SR, Mupparapu M. CBCT-based bone quality assessment: are Hounsfield units applicable? Dentomaxillofac Radiol. 2015; 44(1):20140238.

Gijbels F, Jacobs R, Sanderink G, De Smet E, Nowak B, Van Dam J, et al. A comparison of the effective dose from scanography with periapical radiography. Dentomaxillofac Radiol. 2002;31(3):159–63.